38
Era uma vez um homem normal, completamente normal, que vivia numa perfeita mediocridade, nada o distinguindo dos outros, a não ser o facto de ser praticamente invisível, como uma nuvem cinzenta num dia de inverno. Um dia morreu.
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Era uma vez um homem que se sentava todo o dia num pequeno quarto duma pensão miserável, examinando o mundo, e descobria sempre razões mais ou menos escondidas e tornava-se cada vez mais empático, até que percebeu finalmente que não era mais do que uma parte do todo. Um dia saiu para a rua e nunca mais ali voltou.
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Era uma vez um homem que escrevia progredindo pouco a pouco, palavra a palavra, atento à melodia das suas emoções, as mãos perscrutando obsessivamente o teclado e batendo com força no chão com o pé direito. Um dia, sem dar por isso, escreveu uma sonata.
Luís Ene
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