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domingo, 26 de fevereiro de 2023

O QUE FAZER?

 Sei porque escrevo, porque publico é que estou menos seguro, mas continuo a fazê-lo. Com três textos diferentes crio um único texto, o que me faz pensar se não escrevo sempre um único texto.

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Fazer.

Errar.

Aprender.

Seguir em frente.

Fazer de novo.

Errar de novo.

Seguir em frente.

O que posso fazer?

pergunto ainda mais uma vez

Não há nada a fazer!

Tudo o que acontece

Tem mesmo de acontecer

Por mero acaso

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2023

Desafio Haiku

Vou tomar a liberdade de reproduzir aqui um desafio que lancei no Facebook e deixar também algumas respostas.

O haicai ou haiku moderno é uma composição poética breve, de origem japonesa, que pode ser comparada a uma fotografia instantânea, com três versos, com 5,7,5 sílabas. Mas não compliquem, respeitem a brevidade, tomem em conta o padrão ou não e escrevam um haiku e enviem e juntem uma foto ilustrativa.

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A palmeira encosta-se

ao prédio. Cansada ou

apenas curiosa?


Luís Ene

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Saco de plástico

Preso em urzes secas

Natal!

Sara Monteiro

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A tarde fica

mais suave, a planta

adormece.


Pedro Jubilot

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se tudo arde

o que posso eu fazer?

deitar medronho


Hugo de Oliveira / Cobramor
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preciso lembrar
são sete sílabas métricas
a florir ao sol


José Júlio Sardinheiro

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o povo ladra
aos crimes que passam
os crimes disfarçam

Dário Agostinho

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Quem ouve a canção
de árvores que chilreiam?
O sol de Inverno.


Val Ter


sábado, 11 de fevereiro de 2023

Espúrio 2

 O texto do Paulo lembrou-me um outro que escrevi não há muito tempo, nos idos de 2022:


Sou. Estou. Sou a estar.

Estou a ser. Sou. Sou a ser.

Estou. Estou a estar.

Ser. Estar a ser. Estar.

Estou. Sou. Sou ser. Ser sou.

Estou a ser sou. Sou ser a estar.

Balbucio. Murmuro. Sou som sem sentido.

Estou. Estou a ser. Sempre serei.

Calado ou dizendo-me.

Fazendo ou não fazendo. Sou.

Estou a fazer. Não estou a fazer. Sou.

Sou. Sou. Sou. Sou. Sou. Sou.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2023

BASTIDORES

 Escrevo, subo aos cumes mais altos, desço aos abismos mais fundos.

Esta frase (como todas as frases) que escrevo (letra a letra, tecla a tecla), já terá sido quando a acabar de escrever (quando lhe colocar finalmente um ponto final) e, no entanto, quando for lida, ela não apenas terá sido como estará de novo a ser.

Leio, subo aos cumes mais altos, desço aos abismos mais fundos.

Escrevo (leio), subo aos cumes mais altos, desço aos abismos mais fundos.

segunda-feira, 19 de dezembro de 2022

Era Uma Vez um Homem

 38

 

Era uma vez um homem normal, completamente normal, que vivia numa perfeita mediocridade, nada o distinguindo dos outros, a não ser o facto de ser praticamente invisível, como uma nuvem cinzenta num dia de inverno. Um dia morreu.

 

59

 

Era uma vez um homem que se sentava todo o dia num pequeno quarto duma pensão miserável, examinando o mundo, e descobria sempre razões mais ou menos escondidas e tornava-se cada vez mais empático, até que percebeu finalmente que não era mais do que uma parte do todo. Um dia saiu para a rua e nunca mais ali voltou.

 

45

 

Era uma vez um homem que escrevia progredindo pouco a pouco, palavra a palavra, atento à melodia das suas emoções, as mãos perscrutando obsessivamente o teclado e batendo com força no chão com o pé direito. Um dia, sem dar por isso, escreveu uma sonata.


Luís Ene